A CORRIDA E AS LESÕES

Por: Gustavo Arliani* – São Paulo – 13/11/2013

Nas últimas décadas, temos observado em todo o mundo, incluindo o Brasil, um grande aumento do número de praticantes de atividades esportivas. Muito dessa elevação se deve à ampla divulgação na mídia e nos meios de comunicação dos benefícios que o exercício faz à saúde, como melhor qualidade de vida e redução do risco de várias doenças.

A corrida é o terceiro esporte mais praticado no Brasil, com aproximadamente 4 milhões de praticantes. Somente no ano de 2012 houve um crescimento de 15% no número de corredores de rua no Estado de São Paulo. Esse crescimento se justifica pelas características da atividade, que não exige necessariamente habilidades específicas para a prática. Somente os corredores sabem o prazer e a satisfação sentidas antes, durante e após um treino ou uma corrida.

No entanto, todos esses efeitos benéficos da prática esportiva devem ser equilibrados com as lesões – que são, até certo ponto, inevitáveis e afastam o esportista da atividade que ele mais ama. As lesões na corrida são normalmente resultado da combinação de fatores extrínsecos e intrínsecos. Entre os fatores extrínsecos, podemos incluir os métodos de treinamento, superfície da corrida e tênis para a prática do esporte. Já os fatores intrínsecos, entre outros, são força muscular, alongamento, alinhamento errado de membros inferiores, tipo de pisada e fatores genéticos.

As características do treinamento na corrida são fundamentais para a prevenção de lesões. Um treinamento apropriado e individualizado é essencial, visto que 60% de todas as lesões da corrida são resultados do que chamamos em inglês de “doing too much, too soon” (fazendo muita atividade de maneira muito rápida). Ou seja: o atleta, na ânsia de aumentar seu desempenho, acelera o processo natural de evolução do esporte e acaba tendo como resultado lesões por sobrecarga.

Um programa de treinamento ideal deve expor o corredor a doses apropriadas e crescentes de estresse intercalando as mesmas com períodos de repouso (usualmente 24 a 48 horas) – sendo o tempo de descanso considerado tão importante quanto as sessões de treinamento. No entanto, sabemos que atualmente um programa de treinamento é baseado na performance do atleta e não na ausência de lesões.

Um estudo científico recente sugeriu que corredores com quilometragem semanal superior a 64 km podem reduzir o risco de lesões em 15% em um ano com a diminuição da quilometragem/semana para uma faixa de 48 a 64 km. Por isso, com a intenção de minimizar o risco de lesão, é recomendado um aumento na duração e intensidade do treinamento de 10% por semana.

 

Gustavo Arliani é ortopedista formado pela Universidade Federal de São Paulo, especialista em traumatologia do esporte e cirurgia do joelho, membro do Centro de Traumatologia do Esporte (CETE) e do Comitê Médico da Federação Paulista de Futebol (FPF) e diretor do Centro Médico de Excelência da FIFA da UNIFESP. Médico do Hospital Israelita Albert Einstein, é ainda membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT), da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Joelho (SBCJ) e da International Society of Arthroscopy, Knee Surgery and Orthopaedic Sports Medicine (ISAKOS).

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