Os 3 Pilares para o Sucesso de todo Captador de Recursos

Trabalho com milhões de recursos todos os anos e uma das minhas metas diárias é nunca perder recursos. Acho um absurdo, por causa de um erro, de um esquecimento, ou por causa da falta de informações, por preguiça, negligência, falta de estudo ou leniência se possa perder recursos.

Uma pessoa em um leito de hospital, precisando de um equipamento para se manter viva, uma criança deficiente precisando de uma cadeira de rodas, um jovem em situação de risco que precisa de um programa do governo para se manter fora das ruas, isso tudo são políticas públicas que não podem e não devem esperar, muito menos haver a perda desse tipo de recurso por negligência ou erro.

Entendo que os recursos públicos federais devem chegar na ponta, na população mais carente o quanto antes, assim, é inadmissível que eu acabe perdendo um recurso. E trabalho diuturnamente para que isso não ocorra.

Mas em 2019, depois trabalhar um ano inteiro, de fevereiro a dezembro na indicação do recurso, elaboração do projeto, confecção do plano de trabalho, cumprimento de diligências, corrigindo erros e equívocos de uma ONG, por problemas de ordem técnica, me vi forçado a migrar o recurso para outra instituição, cheguei ao fim do ano com um saldo de cerca de 800 mil para ser indicado para uma organização do terceiro setor. Já era final da primeira quinzena de dezembro, ou seja, o tempo era meu maior inimigo.

Não tinha muito tempo, sabia disso. Assim, corri para achar uma instituição que não tivesse nenhum tipo de arestas, que tivesse expertise razoável, que possuísse experiência desejava na área do recurso, e que possuísse especialista para executarem o projeto.

Acabei escolhendo uma instituição educacional da cidade de Patos de Minas, no estado de Minas Gerais, instituição da área de educação com vasta experiência na área que eu necessitava. Corpo técnico altamente especializado. Experiência prévias de anos de trabalho intenso. Mais de cinquenta anos de existência com extensa experiência nacional e internacional na execução de recursos.

Bem, analisei, pensei, agora sim, nada pode dar errado. Escolhi a instituição fiz minhas análises preliminares, verifiquei o CNPJ, estatuto, documentação fiscal, certidões, a experiência, mantive contato com a instituição, alinhamos os interesses, fiz a indicação.

Assim, o órgão concedente solicitou as documentações da instituição e iniciou-se novamente todas as análises técnicas da mesma.

Como já estávamos entrando no início da segunda quinzena de dezembro, sabia que nosso prazo era extremamente exíguo e que não poderia haver falhas.

Bem, ali meio que perto do natal, não me lembro exatamente qual data, recebi um recado do concedente informando que a instituição não poderia ser indicada pois ela não era uma organização da sociedade civil. oi…..? dei um pulo da cadeira, como assim, claro que era, isso seria um erro de principiante, que eu não poderia ter cometidos. Escolher uma organização que não fosse uma instituição sem fins lucrativos? seria o fim da picada.

Fui analisar o CNPJ novamente, me parecia tudo perfeito, verifiquei mais uma vez com o órgão concedente, e ele me explicou, que, realmente ela era uma instituição sem fins lucrativos, mas quando foram analisar a sua documentação de criação, ela tinha sido criada por um decreto estadual, ou seja, na verdade a instituição não era uma organização sem fins lucrativos tão somente, ela era uma organização sem fins lucrativos que fazia parte do poder estatal estadual de Minas Gerais, o que fazia da instituição parte do poder publico estatal do estado de Minas Gerais, ou seja, ela não poderia ser indica na Ação que eu tinha às mãos.

Anúncios

Questionei o setor jurídico do convenente, que na verdade, há décadas tratavam a instituição pública, com uma organização do terceiro setor. Imagina quantos recursos e oportunidades a instituição não perdeu, simplesmente porque não sabiam que faziam parte do poder público estadual?

Me desfaleci, tudo que eu não poderia ter naquele momento era um erro dessa natureza. Mas de toda forma, foi um dos erros que me ensinou uma das minhas maiores lições, os pequenos erros podem fazer grandes estragos, rsrsrsr.

Bem, acabou que não foi possível mais recuperar o recurso e acabei, eu e o financiador no final de 2019 com um prejuízo de quase um milhão de reais.

PILARES

Diante disso, é extremamente importante que, o captador de recurso conheça muito bem os regramentos do seu processo de captação de recursos. Eu possuo um tripé em que me apoio no processo de captação de recursos, qualquer que seja o tipo de captação:

  1. Conhecer seu produto, seu projeto como ninguém. Você tem que dominar aquilo que você trabalha, que você vende. Precisa conhecer profundamente cada detalhe, cada segredo, cada erro, cada problema, cada gargalo, o que precisa melhorar e o que precisa de correção, e o que você é bom e o que tem que melhorar. Maximize seu pontos positivos e minimize os negativos. Não se admite, em hipótese alguma que, o idealizador ou o vendedor do projeto não o conheça profundamente;
  1. Conhecer seu financiador, seu investidor, seu apoiador, melhor do que ele mesmo. Saber como ele vê seu projeto. Saber quais são seus pontos fortes, fracos, quais seus desejos, ideais, qual a aderência dele ao seu projeto, tentar entender o seu projeto segundo a perceptiva do seu financiador e não segundo o que você acha que ele pensa. Tenho uma premissa quando vou captar recursos: Faço um levantamento exaustivo de toda vida pregressa do meu financiador, verifico quais tipos de projetos que ele já apoiou no passado; quais as áreas de atuação que ele mais possua interesse; faço uma análise dos resultados positivos e negativos dos projetos que ele apoiou anteriormente, a fim de verificar algum gargalo, alguma perspectiva negativa ou positiva sobre os financiamentos que ele já fez anteriormente para ter informações, que entendo, ser privilegiadas, para hora de convencê-lo a aportar em meu projeto.
    e, por último.

3. E não menos importante, é conhecer as regras do jogo, se você não conhecer claramente, de cor e salteado a regra do jogo, com certeza chegará uma hora que cometerá um erro irreparável. O pior erro é aquele que você teria que saber, mas por algum motivo, displicência, falta de esforço, ou mesmo falta de estudo, acabou deixando passar. O erro não perdoa, mata quem mais precisa dos recursos públicos. Aqueles que estão lá na ponta, o usuário, a criança, o jovem, o idoso, a população em geral.

Assim, é necessário na captação de recursos públicos federais conhecer os regramentos técnicos que estabelecem como funciona o jogo. Nesse caso é necessário conhecer no mínimo, a LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias, a LOA – Lei Orçamentária Anual, MROSC – Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, são as legislações básicas que te orientarão para evitar os erros.

Bem, não significa que, mesmo depois de ter feito todo o dever de casa, você não não errará, prever isso é quase impossível. Mas pelo menos fazendo o dever de casa sua chance de minimizar os erros aumenta exponencialmente sua capacidade de sucesso.

Para auxilia-los disponibilizei um link com as legislações mais importantes para a captação de recursos para o OGU, é só acessar esse link. também disponibilizei algum modelos de projetos ou plano de trabalho para utilização como modelo para seu novo projeto.

Qualquer dúvida em relação a esse texto, me chama no WhatsApp e terei o maior prazer em orientá-lo ou esclarecer as dúvidas.

Um abraço e Sucesso em sua Captação

Postado em Captação, Captação de Recursos, Notícias, OGU, Organizações da Sociedade CivilMarcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,