Tecnologia X Felicidade

Porque estamos nos contentando com tão pouco…


Estamos passando por um momento sui generis, ou diria, singular.

O namorado que só vemos de vez em quando, o emprego que é uma bosta, a relação que só deixa a desejar, o amante sempre ausente.

Filme WALL·E

Ou é muito, de mais, em excesso, ou a falta, o vazio, o vácuo.

Nos relacionamentos interpessoais percebemos o esvaziar da relação, enquanto super abunda experiência digitais. Estamos trocando as relações pessoais pela interpessoais, impessoais, à distância.

Nunca estamos satisfeitos com a quantidade de “relações”, digitais, fingindo que está tudo bem, que estamos bem, que damos conta, que sabemos o que estamos fazendo, que sabemos para onde estamos indo, que temos o controle de nossas vidas, de nossas decisões, de nossas ações, quando na verdade, estamos mais perdidos do que antes. Não sabemos exatamente o que queremos, queremos tudo, e ao mesmo tempo não conseguimos escolher algo decente, uma escolha sensata, com lucidez. 

Estamos envolto numa nuvem de gás que nos cega ao mesmo tempo que tende a nos mostrar um caminho, uma saída que invariavelmente é escolhida por alguém, sem reflexão, sem ponderação, simplesmente: saia, ou, entre, ou, fuja, ou, escape, ou, se salve, ou, morra.

Prazeres sem sal, sem vida, sem brilho, sem êxtase, é o prazer do desprazer, é ser e não ser, ter e sentir se vazio, coberto do nada, do nulo, do fundo sem fundo, do que nunca acaba. 

Porque continuamos aceitando as coisas pela metade, por partes, não por inteiro, nos contentamos com o mínimo, com espaço oco e sem conteúdo.

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Vende-se ilusão, vende se mentira, vende-se a morte, e como manada corremos buscando a solução, a mentira, a inverdade, a ilusão, em um post, em uma imagem, em um vídeo, frugalidade, fugaz, como bolha de sabão se dissipa no ar, sim, isso que compramos, isso que adquirimos dia após dia, minuto após minuto, segundo após segundo, quando arrastamos os dedos para cima em nossas telas reluzentes, buscando a felicidade, tateando o desejo, querendo ser feliz.

Estamos sendo enganados, ludibriados, levados ao matadouro da insensatez.
Não, não estamos sendo felizes, não estamos felizes, é mentira, tudo, ou quase tudo uma grande e enorme mentira.

Felicidade em rostos, em flashes, em câmeras, roupas, lugares, objetos, utensílios, tudo uma grande mentira. 

Perdemos nosso senso crítico, não sabemos mais o que é real ou que é mentira, o que verdadeiro do que é ilusório. Não sabemos diferenciar uma pessoa feliz em uma foto. A felicidade é transformada em desejo e a tristeza em ajuda, tudo sórdido, mesquinho, marketing puro, cheio de impurezas, de pequenas partículas de veneno, de pequenos cristais de dióxido de carbono, uma aventura mortal.

Quem somos, não sabemos, o que somos, uma incógnita. Somos o que querem que sejamos, falamos somente um script bem elaborado para uma massa cinzenta encefálica, mórbida, chorosa, triste e melancólica.

Estamos morrendo e ainda não percebemos, morrendo pouco a pouco, comprando e vendendo ilusões ilusória, sem sentido, sem nexo, sem amor. 

Preciso urgentemente acordar…